Daí que eu estive pensando... Será que hoje em dia a sinceridade ainda pode ser considerada um valor? A impressão que tenho é de que o mundo anda confuso, misturado, e os que insistem em emitir suas opiniões saem perdendo. Isso acontece em várias situações: num relacionamento por exemplo, abrir o jogo pro parceiro sem ter certeza de que a isca foi "mordida" é um pecado mortal. Por mais que você fique feliz da vida ao descobrir que ele também gosta de ouvir Fábio Jr., que se atrapalha quando come manga, abomina boxe e acha que o Didi Mocó é na verdade um grande bocó, na boa... segura a sua onda!
A gente tem que ser sutil e fria o suficiente pra perceber se ambos estão na mesma sintonia, e quando se está carente tudo isso fica mais difícil e potencializado. Nesse estágio você acha que aquele banana pode sim se tornar um príncipe encantado, que erros grotescos de português já não têm tanta importância, e que cantada de pedreiro nem é tão ruim assim.
Há quem diga que o lance de joguinho é perda de tempo, há quem diga que essa tensão inicial é necessária e saborosa. Eu concordo... acho bacana brincar um pouquinho... mas quando o negócio não evolui é hora de ligar o semancol no nível máximo, resgatar o amor próprio e partir pra outra, mesmo que demore um pouquinho pra aparecer.
E no trabalho então? Caramba... é praticamente obrigatório adotar a política da boa-vizinhança pra se dar bem com todos e não enfrentar cara feia quando precisa de alguém. Quando existe um "bocudo" no meio pra dizer as verdades que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer, a alegria é geral! Parece que eles esperam pelo "ataque de sinceridade" que está por vir assim que o fulano termina de falar. Pois é... eu me considero uma bocuda, e apesar de gostar de ser autêntica, muitas vezes me arrependo de ser a única a me expor. Acabei ganhando a fama de reclamona e também a antipatia de muita gente. Convenhamos: certas verdades são difíceis de se ouvir, assim como são difíceis de dizer. Fato é que eu tento, tento, tento, mas não consigo mudar. A questão é: eu preciso mudar?
O bom da vida é o livre-arbítrio! É poder escolher, errar, aprender, conhecer. Autenticidade e sinceridade serão pra sempre qualidades, tão belas quanto o respeito e a honestidade. O desafio é aprender a lidar com ela. Saber responder, perguntar, saber ouvir mais que falar... Ah! E continuar acreditando que existe um sapo bacana, hetero e solteiro nesse brejo doce, mas nada, nada fácil de se viver...

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