sexta-feira, 6 de março de 2009

Uma notícia triste, um poema triste.

SONETO DA SEPARAÇÃO (VM)

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bodas unidas fez-se espuma

E das mãos espalmadas fez-se espanto

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente não mais que de repente

Um comentário:

Anônimo disse...

Este soneto é lindo. Eu também gosto muito do Soneto de Fidelidade, mas acho que o meu preferido é este:

Soneto Do Amor Total
Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.